quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

EUA vs Irã: guerra de maçãs podres vs laranjas podres

21/2/2017, Anwar Khan, The Vineyard of the Saker








"E pergunto: a mídia alternativa tem necessariamente de alinhar-se com o Irã e o Hizbollah na luta para se opor aos desígnios do Império? A mídia alternativa ocidental não pode se manter, como se espera que seja, neutra?" (Anwar Khan)


Entreouvido na Vila Vudu:

A pergunta pode ser sincera, mas é tola. Ninguém jamais saberia manter-se perfeitamente neutro. Nem é preciso ser 'neutro'. 

A luta política não avança de uma 'conclusão lógica', para outra 'conclusão lógica'. A luta política avança de uma DECISÃO POLÍTICA,para outra DECISÃO POLÍTICA.
A ficção dessa tal 'neutralidade' sempre pressuposta, mas sempre inexistente, é que torna possível o jornalismo-empresa do capital e pró-capital – o único jornalismo-empresa que o capital admite que sobreviva... no mundo do capital [NTs].
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Estava lendo recente artigo de nosso muito estimado Saker, "EUA vs Irã – guerra de maçãs vs laranjas", que examina resultados potenciais e cenários que poderiam ser criados por uma guerra entre Irã e EUA. Mais uma vez, fui iluminado pela brilhante análise militar – análise de alta qualidade que só o Saker oferece hoje. Só alguém ainda mais entendido que ele em questões militares poderia discordar do que ali se lê. Mas isso só até o Saker acrescentar opinião sua numa questão religiosa. De repente, todo o artigo pareceu-me um pouco mais enviesado, um pouco mais opinioso do que se deve esperar, quando o Irã e os xiitas apareceram inflados [ing. the lionization of Iran and Shias], como se vê com muita frequência em estudos e comentários políticos russocêntricos. Disse o Saker:

"A maior parte dos iranianos são xiitas, o que todo mundo sabe. O que nem tantos conhecem é o motto inspiracional dos xiitas, o qual, creio eu, expressa belamente um dos traços chaves do ethos xiita: "Todos os dias são Ashura e todas as terras são Karbala". (...) Basicamente, a frase manifesta a disposição para morrer pela verdade a qualquer momento e em qualquer lugar. Milhões de iranianos, mesmo os que não são necessariamente muito religiosos, foram educados sob essa determinação de lutar sempre e resistir sempre, custe o que custar."[1]

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

EUA suspendem ajuda militar para oposição síria?

21/2/2017, South Front (matéria da Reuters)













Os EUA suspenderam um programa de assistência militar para a oposição síria no noroeste da República Árabe, que era coordenado pelaCentral Intelligence Agency (CIA) – a agência Reuters noticiou, citando fontes de dentro da oposição síria.

O programa foi congelado depois de um ataque por extremistas que ocorreu em janeiro, e será restabelecido depois que a oposição se reorganizar – disseram as mesmas fontes.

Fonte oficial dos EUA disse à agência Reuters que a suspensão da ajuda à oposição síria nada tem a ver com a troca de governo nos EUA e com o início do governo do presidente Donald Trump. A fonte confirmou que a razão da suspensão foi o ataque por extremistas.

O ministro da Defesa da Rússia Sergei Shoigu insiste contudo que a oposição armada e as formações de mercenários que operam dentro da Síria continuam a receber armas e munições de outros países.

"Basta considerar, por exemplo, que a guerra prossegue ininterrupta na Síria por já quase seis anos. Durante todo esse tempo, grupos da oposição armada e formações de mercenários jamais deixaram de receber do exterior munição, armamento e outros recursos físicos, indispensáveis para manter operações de combate ativo" – disse o general Shoigu na 3ª-feira, na sua fala de abertura do 2º Fórum da Juventude de Todas as Rússias "Cooperação político-militar e econômico-militar: tendências atuais", no Instituto de Relações Internacionais em Moscou.


Shoigu disse que, segundo estimativas do Ministério de Defesa da Rússia, só nos conflitos armados na Síria, Iraque, Iêmen e Líbia, grupos ilegalmente armados receberam cerca de 2.450 sistemas portáteis de defesa antiaérea de curto alcance; 1.750 armas teleguiadas antitanques; cerca de 650 sistemas de artilharia de foguetes múltiplos; mais de 24 mil minas de vários tipos; e mais de 600 toneladas de explosivos.*****





Agências de inteligência EUA Contra Trump, nos 'assuntos' de Rússia

16/2/2017, Tom Eley, World Socialist Website




Quem precisa desse 'jornalismo'?! 
(1) O Estado de S.Paulo É o New York Times. Grande merda.

(2) Moros, Dalanhóis, STFs e PFs são "o Estado não eleito" [leia adiante]. 
O poder deles TEM DE SER DEMOCRATICAMENTE controlado. Para tanto, se requer força.

(3) A Casa Branca é a casa-da-mãe-joana-matriz. 
O Planalto golpista é a casa-da-mãe-joana-subalterna.

(4) Só Marx explica. 
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Na 5ª-feira a crise agravou-se, com o Washington Post e o New York Times exibindo manchetes de 'novas revelações' baseados em fontes atuais e antigas, sempre anônimas e sempre "da comunidade de inteligência", e em 'declarações' de senadores Republicanos, dessa vez aliados a Democratas, para 'exigir' que o Congresso constitua uma Comissão Especial de Inquérito para examinar possíveis conexões entre Trump e agências de inteligência da Rússia, que teriam existido antes e perdurariam até depois das eleições de novembro.

Ao mesmo tempo, figuras de dentro e da periferia do Partido Democrata puseram-se a falar de impeachment, traçando comparações com o escândalo do [prédio] Watergate – da invasão, em 1972, do Comitê Nacional Democrata – que levou Richard Nixon a renunciar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Rumo ao pós-ocidente, meu jovem! Por Pepe Escobar

20/2/2-17, Pepe Escobar, Asia Times












A Conferência de Segurança de Munique de 2017, pode-se dizer, entregou o jogo já de saída, num documento 'para disparar as conversações' [ing. a conversation starter] para os três dias do evento, intitulado "Pós-verdade, Pós-Ocidente, Pós-Ordem?" [ing. Post-Truth, Post-West, Post-Order?].

"Pós-verdade" é o novo normal, nessa Era de Qualquer-coisa-é-notícia-e-nada-é [orig. The Age of Spin]. "Pós-ordem" significaria de fato uma ordem neo-Westfaliana remixada, que cercasse o multipolarismo que o establishment unipolar combaterá até a morte. E "pós-Ocidente" nada significa, porque não há crise do Ocidente. O problema real é uma confluência de neoliberalismo e imperialismo "humanitário" fabricada no Ocidente.

Inútil seria esperar que as elites políticas ocidentais abandonassem o estado de negação maníaco-obsessiva atentamente cultivada para tudo que tenha a ver com as incontáveis desgraças perpetradas por todo o mundo em desenvolvimento em nome do neoliberalismo fazendo pose de "democracia liberal".

The Saker: Sonhos de Trump vs realidade de Trump

19/2/2017, The SakerUnz Review The Vineyard of the Saker 















Para muitos apoiadores de Trump, a semana passada foi dolorosa! Por mais que uns tenham reagido com o pânico mais abjeto, ou tenham fingido que nada aconteceu, verdade é que algo aconteceu e foi coisa grande: as Agências de Três Letras saíram-se com um golpe de facto contra Donald Trump, forçando-o a demitir o seu mais importante conselheiro de política exterior e homem que se atrevera a declarar que queria reformar toda a suja e vastamente ineficiente comunidade de inteligência dos EUA.

Não há como fazer cara de 'não-há-de-ser-nada'. Não só porque o que aconteceu mostrou que Trump não é leal com os que lhe são leais, mas também porque o episódio em grande parte destruiu o que eu chamaria de "o sonho Trump". Aqui, escolhi atentamente as palavras. Falo de "sonho Trump", como oposto à "realidade Trump". Explico melhor.

Nasrallah do Hezbollah: "Nem Trump, nem o pai de Trump, nem o avô de Trump..."

12/2/2017, Said Hassan Nasrallah nos funerais do Xeique Hussein 'Obaid [excerto, trecho final]
Vídeo (ár.), ing. leg. e trad. ao fr. por Said Hasan (aqui trad. do fr. ao port.-Brasil)
















Último ponto, na 5ª-feira [16/2], se Deus nos der vida, falaremos especificamente da situação regional, mas permitam-me dizer apenas uma palavra aos que, nas últimas semanas, têm dito e escrito (vi muitas declarações) segundo as quais o Hezbollah estaria inquieto, que o Hezbollah estaria intimidade, que o Hezbollah estaria assustado. Do que estavam falando? Sim, precisamente: Trump assumiu o governo. Trump lá está. Sim, mas... e daí? Onde estaria a novidade?

OTAN às portas da América Latina

15/1/2017, Luis Britto García*












A agenda da direita ibero-americana é fixada na Espanha por uma Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales (FAES) patrocinada por Felipe González, e dedicada a "incorporar a América Latina ao Ocidente". 

Com "O objetivo comum de derrotar democraticamente o projeto do socialismo do século 21", a FAES propôs em 2007 uma "Agenda para a Liberdade" que inclui criar uma "Internacional de las Derechas"; pôr fim ao ensino universitário gratuito e proibir as expropriações. Para isso, "América Latina deve cooperar em matéria de segurança e da luta contra o terrorismo internacional ao lado de Europa e América do Norte, mediante a criação de uma associação estratégica entre OTAN e Colômbia". Assinam o documento Julio Borges y Leopoldo López.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

David Icke e o significado do Poder Judaico, por Gilad Atzmon

24.01.2017, Gilad Atzmon (Blog)







"Poder Judaico" é o poder para suprimir completamente a discussão sobre o poder judaico.

Esse poder está hoje visivelmente minguante.

Hoje, veículos da mídia judaica noticiam que militantes estão exigindo que Manchester seja multada, depois que a cidade acolheu "o antissemita notório David Icke" para falar diante de vasta multidão, nesse final de semana.

Mas o que faz de Icke "antissemita notório"? Icke afirma que os Judeus controlam o mundo e deram início à 1ª Guerra Mundial. Icke também acredita que os Judeus dominaram a Conferência de Paz de Versailles e criaram as circunstâncias que tornaram inevitável a 2ª Guerra Mundial.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Quem tem medo da paz no Afeganistão?

14/2/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline














A conferência de seis países sobre o Afeganistão a realizar-se em Moscou na 4ª-feira – Rússia, China, Índia, Irã, Afeganistão e Paquistão – já está, de fato, sob a mira dos EUA. Comentário da Voz da América já mostrou isso, ao tomar a iniciativa: "Rússia, sempre mais interessada em minar os EUA do que em resolver os problemas regionais." O comentário lamentava que EUA e OTAN não tenham sido convidados à conferência em Moscou. Mas mesmo assim admite que analistas regionais "observam esse desenvolvimento com mais otimismo".

Washington está terrivelmente preocupada com o "retorno" da Rússia ao Afeganistão. Os EUA temem que a Rússia venha a fazer outra "Síria" no Afeganistão, apressando o fim definitivo da guerra e arrasando todo o Estado Islâmico, expulsando-o para fora do Hindu Kush e da Ásia Central, o que, claro, arrasaria também a raison d'etre da presença militar sem fim, que se vai eternizando, dos EUA no Afeganistão.

O Pântano revida, por Pepe Escobar

15/2/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












A espalhafatosa novela de Michael Flynn resume-se à CIA jorrando uma hemorragia de vazamentos para o jornalão a serviço do manda-chuva da cidade, tentando fazer acontecer o desejado fim de jogo: uma vitória retumbante das facções mais linha-dura dos neoliberais/neoconservadores do Estado Profundo dos EUA, numa específica batalha. Mas a guerra não acabou; de fato, está só começando.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

The Saker: O golpe do “estado profundo” contra Flynn - Falando da forma mais clara possível

14.02.2017, The Saker, The Vineyard of the Saker


tradução de btpsilveira





Muito bem. Tenho a percepção de que um grande número de leitores não está conseguindo entender a natureza do que está acontecendo. Assim, desta vez, em vez de escrever uma análise, vou destacar alguns tópicos – e tentar fazer um tipo de trabalho melhor para marcar minha posição. Vamos lá.

ISSO NÃO TEM NADA A VER COM FLYNN. Vou repetir. ISSO NÃO TEM NADA A VER COM FLYNN!!!Pelo amor de Deus, não venham me dizer que Flynn está errado quanto ao Irã, ou Islã, ou China. Concordo. Mas,

==> ISSO NÃO TEM NADA A VER COM FLYNN!!! <==

ISSO É SOBRE PODER. Como assim, quem é o chefe? Quem é o número um? Quem é o cachorro alfa? O presidente ou o “estado profundo”? É disso que estamos falando – mostrando quem é que está no comando.

Acabou o Lexotan na GloboNews! Por Leandro Fortes

15.02.2017, Leandro Fortes, Facebook







Quer entender porque o STF se abraçou, covardemente, à turma de Temer e de seus cupinchas do Congresso Nacional e da mídia?

A pesquisa CNT/MDA, sobre a corrida presidencial de 2018, dá TODAS as respostas.

Então, vamos lá:

Cenário 1 – 1° turno

LULA 30,5%
Marina Silva 11,8%
Jair Bolsonaro 11,3%
Aécio Neves 10,1%
Ciro Gomes 5,0%
Michel Temer 3,7%

Cenário 2 – 1° turno

LULA 31,8%
Marina Silva 12,1%
Jair Bolsonaro 11,7%
Geraldo Alckmin 9,1%
Ciro Gomes 5,3%

Cenários 1, 2 e 3 – 2º Turno

LULA 39,7% 
Aécio 26,5%

LULA 42,9% 
Temer 19%

LULA 38,9% 
Marina 27,4%

Por isso estão todos contra Lula: os golpistas, o juiz Moro, a mídia, os retardados do MBL, os analfabetos políticos da classe média, os remediados de Miami, as senhoras de Santana, os fascistas, os crentes sem noção e os dementes da extrema direita.

Por isso que é preciso prender Lula, execrar Lula, inviabilizar Lula e, se necessário, matar Lula.

Porque, em qualquer pesquisa, em qualquer tempo, daqui até 2018, SÓ VAI DAR LULA, de cabo a rabo.

#Lula2018


The Saker: Neocons e o Estado Profundo castraram a presidência Trump (atualizado 2x)

14.02.2016, The Saker, The Vineyard of the Saker



tradução btpsilveira





Há menos de um mês, alertei que uma “revolução colorida” estava em curso nos Estados Unidos. Meu principal elemento de prova era a assim chamada “investigação” que CIA, FBI, NSA e outras agências estavam conduzindo contra o candidato a se tornar Assessor para a Segurança Nacional do Presidente Trump, o General Flynn. Nesta noite, o plano para expulsar Flynn finalmente teve sucesso e ele ofereceu sua renúncia. Trump aceitou.

Uma coisa quero deixar bem clara desde o início: Dificilmente Flynn poderia ser visto como um homem sábio ou um santo, que poderia, sozinho, salvar o mundo. Não é. No entanto, Flyyn era a pedra angular da política de Segurança Nacional de Trump. Em primeiro lugar, Flynn ousou o impensável: ele ousou declarar que a comunidade de inteligência dos Estados Unidos, superdimensionada e inchada, tinha que ser reformada. Tentou ainda subordinar a CIA e o Estado Maior ao presidente via Conselho de Segurança Nacional. Colocado de maneira diferente, Flynn quis combater o poder incontestável até então que vem da CIA e do Pentágono e trazê-lo de volta para as mãos da Casa Branca. Além disso, queria trabalhar com a Rússia. Não porque fosse algum tipo de admirador da Rússia, a simples noção de que um diretor do DIA fosse fã de Putin é simplesmente ridícula, mas Flynn é um homem racional, ele entendeu que a Rússia não é uma ameaça para os Estados Unidos ou para a Europa e que a Rússia e o ocidente têm interesses em comum. Estas noções são um crime de pensamento absolutamente imperdoável na cidade de Washington, DC.

Os neocons que governam o ‘estado profundo’ forçaram Flynn a renunciar sob o pretexto imbecil de que ele teve uma conversação telefônica através de uma linha aberta, insegura e claramente monitorada, com o embaixador russo.

Pior: Trump aceitou a renúncia.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A Política Externa de Trump Será Travada pela Demissão de Flynn

14.02.2017, Moon of Alabama




tradução de btpsilveira





O Assessor para a Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn, pediu exoneração depois de apenas três semanas na função. Mesmo não sendo fã de Flynn ou mesmo de Trump, penso que esse descarte é um acontecimento muito perigoso. Impedirá uma grande mudança nas políticas externas dos EUA, como imaginado por Trump.

A demissão ocorreu na sequência de uma campanha minuciosamente orquestrada contra Flynn por funcionários da inteligência dos EUA, a mídia e algumas pessoas dentro da Casa Branca.

Depois da vitória inesperada de Trump nas eleições, a administração Obama disparou sanções contra a Rússia e mandou funcionários da embaixada russa de volta para Moscou. Esse movimento tinha a intenção de bloquear a política de melhores relações com a Rússia, desejada por Trump. Em seguida, Flynn falou com o embaixador russo, e como consequência direta da conversa, os russos não responderam às expulsões e sanções de Obama na mesma moeda. Totalmente de acordo com as políticas já anunciadas por Trump, esse foi um movimento decididamente positivo. Um movimento parecido com esse foi feito por Henry Kissinger, que visitou a embaixada russa semanas antes de se juntar ao NSC (Conselho de Segurança Nacional – NT) de Nixon. Durante a eleição de 2012, o próprio Obama fez um “acordo” similar com os russos numa situação também bastante parecida:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A deterioração da ética pública na era Temer, por Eugênio Aragão

13/02/2017, Eugênio Aragão, Jornal GGN






Barco-Motel de propriedade do Senador Wilder de Morais utilizado pelo ex-Ministro Alexandre de Moraes para angariar votos na corrida pelo cargo de Ministro do STF

Na disputa da vaga aberta no STF pela aposentadoria de Carlos Aires Brito, despontou como "candidato" com maiores chances à indicação presidencial o Prof. Heleno Torres. Chegou a ser recebido pela Presidenta Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, que, segundo se fez circular, batera o martelo em seu favor, mas lhe pedira absoluta discrição enquanto não houvesse anúncio oficial do nome. Heleno, porém, com forte apadrinhamento no STF e no governo, não honrou o pedido da Presidenta. Almoçando em elegante restaurante dos Jardins em São Paulo, na companhia do então Advogado-Geral da União, Luis Inácio Adams, deu com os dentes na língua e falou pelos cotovelos, a comemorar antecipadamente a indicação. Presenciado por gente da imprensa, o fato espalhou-se como fogo de palha e gerou enorme constrangimento para a Presidenta e o próprio "candidato". O resultado não tardou: Heleno Torres tornou-se, talvez, o primeiro caso de martelo "desbatido" na história das supremas indicações. Tentou desesperadamente contato com a Presidenta para se justificar, sem sucesso. Dilma não atendeu. A deslealdade não merecia tratamento diverso.
É oportuno lembrar esse episódio no atual momento político, no qual o Sr. Alexandre de Moraes se encontra em maratona de lobby para fazer seu nome ser aprovado pelo Senado Federal. Na sua extrema ambição pessoal, o atual "candidato" não difere muito de Heleno Torres. Mas os tempos são outros.

The Saker: EUA vs Irã – guerra de maçãs vs laranjas

07/02/2017, The Saker, Unz Review e The Vineyard of the Saker











Uma das tarefas mais frustrantes é tentar desmascarar os mitos que Hollywood e outros agentes imprimiram na mente dos norte-americanos sobre guerra em geral, e sobre forças especiais e tecnologia, no específico. Quando, semana passada, escrevi minha coluna sobre primeiro SNAFUS[1] do governo Trump eu mais ou menos já esperava que alguns dos meus argumentos cairiam em ouvidos surdos; e aconteceu. Hoje, minha proposta e tentar, outra vez, explicar a vasta diferença que há entre o (i) que chamaria de "o modo de guerra dos EUA" como mostrado nos filmes de propaganda; e (ii) a realidade da guerra.

Comecemos pela questão do uso de forças de operações especiais, para declarar, de saída, o que aquelas forças não são: forças de operações especiais não são a SWAT nem são forças antiterroristas. A máquina de propaganda dos EUA propaganda implantou na mente do povo em todo o Ocidente que, se uma força é "de elite" e veste aqueles uniformes sexy-táticos [orig. "tacti-cool"], então é força de algum modo "especial". Por esse critério, até alguns policiais antitumultos poderiam ser considerados "forças especiais". Não é pecado, vale registrar, exclusivo dos norte-americanos. 

Da Guerra Fria a Clinton: Liberais e conservadores isolaram a raça, da classe

9/2/2017, Rachel Johnson, In These Times












No frenesi das avaliações pós-eleitorais quanto ao futuro do movimento progressista, uma preocupação emergiu, que gerou mais discussão que as outras: a Esquerda nos EUA deve focar-se primeiro na classe, ou primeiro na raça? Uma mudança na direção do populismo econômico faria reverter – ou no mínimo, estagnar – os avanços obtidos pelas mulheres, pelos povos de pele escura e por outros grupos marginalizados?


Esse debate que cresceu durante as primárias dos Democratas, voltou a eclodir novamente depois da eleição quando, 12 dias depois da vitória de Trump, Bernie Sanders conclamou o Partido Democrata a superar seu liberalismo identitário unindo-se em torno das questões de toda a classe trabalhadora.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Pepe Escobar: Andrew Jackson Trump dará corpo à Doutrina Bannon?

09/02/2017, Pepe Escobar, SputnikNews














Nos recônditos profundos da Trumpologia – a nova disciplina infestada de 'especialistas', todos tentando decodificar o novo governo norte-americano – tornou-se moda zombar do estrategista chefe da Casa Branca Steve Bannon, como se se tratasse de criatura sociopata do pântano estilo Jurassic Park, um "quase-fascista" comparável a islamofascistas.

(Mesmo que Bannon só metaforicamente opere como degolador em chefe.)

Descartar Bannon como se fosse uma espécie de Maquiavel/Richelieu remixado para o século 21 que veste calças cobertas de bolsos e gravatas estranhíssimas é resposta barata, de adolescente entediado. Kelyanne Conway pode até ser "especialista em luta-de-faca, com palavras"; Jared Kushner pode até ter tomado a linha D do trem dos negócios imobiliários em Manhattan para vir fazer-se de secretário de Estado 'sombra', com cadeira cativa na sala de situação. Mas o homem a estudar nos detalhes mais excruciantes tem de ser Bannon, que devora ensaios de história e teoria política de café da manhã. Quem quiser descartá-lo que o descarte. E pague o preço.