quarta-feira, 24 de maio de 2017

Samuel Pinheiro Guimarães: “Quanto mais cedo Temer cair, pior para a oposição”

24/5/2017, Samuel Pinheiro Guimarães,* Socialista Morena







1. A vitória ideológica/econômica/tecnológica dos Estados Unidos sobre a União Soviética, a adesão russa ao capitalismo e a desintegração da Rússia e a adesão da RPC ao sistema de instituições econômicas liderado pelos Estados Unidos e a abertura chinesa controlada às MNCs levaram à consolidação da hegemonia política/imperial dos Estados Unidos.

2. As diretrizes da política hegemônica norte-americana são:

– induzir a adoção, por acordos bilaterais e pela imposição, por organismos “multilaterais”, dos princípios da economia neoliberal;

– manter a liderança tecnológica e controlar a difusão de tecnologia;

– induzir o desarmamento e a adesão “forçada” dos países periféricos e frágeis ao sistema militar norte-americano;

– induzir a adoção de regimes democráticos liberais, porém de forma seletiva, não para todos Estados;

– garantir a abertura ao controle externo da mídia.

Ahmadinejad: "Confronto com sauditas não terá fim"

22/5/2017, Claudio Gallo, La Stampa, Itália




"Mas o que Ahmadinejad realmente disse foi que nenhum confronto com os sauditas jamais terá vencedor: não é exatamente o que se lê na manchete de La Stampa" [Entreouvido no bochicho aqui]












Os EUA se querem divididos e fracos" (Ahmadinejad)


O quartel-general de Mahmoud Ahmadinejad está instalado no elegante quarteirão de Velenjak, no setor norte de Teerã. Presidente do Irã por oito anos, Ahmadinejad fez alguns movimentos para voltar à política, mas o Guia Supremo o proibiu. Sessenta anos, de aparência jovem e saudável, vestido com elegância, tem às costas de sua poltrona a bandeira do Irã. Continua muito presidencial. Sabíamos que não tinha autorização para falar com a mídia, mas Ahmadinejad é homem de infringir e desobedecer. Antes de iniciar a entrevista reza a primeira sura do Corão. 

Senhor Ahmadinejad, o que pensa da vitória de Rohani?

"Tenho muito a dizer sobre essa discussão, mas não falaremos disso".

Como o senhor avalia o acordo nuclear e o novo estilo presidencial de Trump?

"O problema dos EUA é que querem governar o mundo inteiro, especialmente o Oriente Médio. Trump veio para trazer mais guerra por conta dos capitalistas, mas fracassará. O capitalismo está em vias de se esgotar, perdeu a capacidade de se renovar. A economia foi convertida em espaço de injustiça, também na Europa. A democracia está submetida e controlada. O sistema que Trump representa está condenado a desaparecer, ainda que não seja imediatamente. Mas não se deve focar exclusivamente a figura do presidente dos EUA, porque quem decide não é ele, são outros."

A Nova República acabou, e ninguém sabe o que vem depois

20/5/2017, Diário Classe Operária Online (Editorial)










É tradição na política francesa separar as etapas da política do País em repúblicas. A Primeira República começou com a Revolução e se encerrou com a coroação de Napoleão. A tradição continua até hoje, nestas eleições, um candidato pelo Partido Socialista defendeu a criação da Sexta República, para substituir a que existe desde 1958.

As repúblicas representam um regime político, é natural que a França, uma nação de tradição de debate político, apresente isso de maneira clara. 

O Brasil também teve as suas “repúblicas”, tivemos a República Velha, o Estado Novo, o período entre a ditadura varguista e os anos de chumbo foi chamado de República Liberal, todos delimitavam uma clara diferença de regimes políticos.

Em todas estas repúblicas havia uma relação específica entre a burguesia e as classes oprimidas, entre setores da burguesia, existia um pacto social. Representado por partidos políticos da época, instituições e seus papéis, quando o pacto se rompia, abria-se uma crise e começava um processo de destruição do regime, de criação de outro.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 4)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker



Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites 'maquiavélicas': de Trotsky a Burnham e de Burnham e 'Maquiavélicos' ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico[9]
















Capa da edição de 1550 de "O Príncipe" de Machiavelli e "A Vida de Castruccio Castracani".

A recente afirmativa, pela Casa Branca de Trump de que Damasco e Moscou teriam distribuído "falsas narrativas" para desviar a atenção do mundo, de modo a que ninguém visse o ataque com gás sarin dia 4 de abril em Khan Shaykhun, Síria, é perigoso passo adiante na guerra de propaganda em torno de "fake news" lançada nos últimos dias do governo Obama. E é passo cujas raízes profundas na IV Internacional Comunista de Trotsky [muito mais, isso sim, de 'seguidores-deformadores' de Trotsky (NTs)] têm de ser bem compreendidas, antes de se decidir quanto ao que realmente se passa aí.

Agitando o lodo para turvar as águas com empenho jamais visto desde os anos do senador Joe McCarthy e do "Medo Vermelho" [ing. Red Scare] nos anos 1950s, a "Lei de Combate à Desinformação e à Propaganda" [ing. "Countering Disinformation and Propaganda Act" assinada e convertida em lei quase clandestinamente por Obama em dezembro de 2016 autoriza oficialmente a ação de uma burocracia de censores só comparável ao Ministério da Verdade que George Orwell nos mostra em seu romance 1984.

Vitória e derrota das ideias soberanistas, por Jacques Sapir


16/5/2017, Jacques Sapir, Russeurope, Hypotheses











O período atual está marcado por uma forte contradição. O 1º turno da eleição presidencial na França trouxe a vitória cultural das forças soberanistas. O 2º turno, uma derrota confirmada, das mesmas forças. A derrota nesse caso explica-se pela persistência dos mecanismos ideológicos de demonização da Frente Nacional. Mas os mesmos mecanismos foram reativados também pela incapacidade, muito visível na última semana, para articular com clareza um projeto coerente e, sobretudo, pela incapacidade de levar esse projeto, com dignidade, ao debate televisionado antes da votação. Essa derrota confirma tanto as limitações da candidata – sejam limitações ideológicas, políticas ou de organização –, como também confirma a divisão da corrente soberanista.

Recordemos os fatos: os soberanistas explicitamente alcançaram mais de 47% dos votos no 1º turno, se se somam os votos dados ao conjunto de candidatos que defendem posições ou teses soberanistas. Além desses, também se pode supor que exista um 'exército de reserva' de eleitores soberanistas entre os eleitores de François Fillon. Certo número desses apoios, inclusive entre os deputados, nunca fizeram segredo de sua adesão às teses soberanistas. É claro portanto queimplicitamente, o soberanismo já foi maioria no 1º turno. E em momento algum cedeu fosse o que fosse de suas posições, especialmente quanto ao euro. Mas no 2º turno essa maioria desfez-se. A oposição entre esses dois eventos, ambos indiscutíveis, traz à luz ao mesmo tempo a diversidade das posições soberanistas e as dificuldades para reuni-las.

João Pedro Stedile convoca o povo para NÃO sair das ruas


Belo Horizonte, Entrevista, 18 de Maio de 2017 às 14:51, Brasil de Fato


Ver também
"Donos do golpe iniciam a demissão de Michel Temer",
Rui Costa Pimenta, 
GGN, 18/5/2017 









João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Frente Brasil Popular, analisa em entrevista o cenário político brasileiro, o papel da Globo, as divisões no campo golpista e fala sobre a necessidade de construção de um governo de transição e da construção de um projeto popular para o Brasil.

Brasil de Fato - Qual o interesse da Globo em divulgar esses áudios e por que eles insistem em eleições indiretas?

João Pedro Stedile - A Rede Globo se transformou no principal partido da burguesia brasileira. Ela cuida dos interesses do capital, utilizando sua força de manipulação da opinião pública e articulando os setores ideológicos da burguesia, que inclui o poder judiciário, alguns procuradores, a imprensa em geral, etc. Eles sabem que o Brasil (e o mundo) vive uma grave crise econômica, social e ambiental, causada pelo modus operandi do capitalismo. E isso aqui no Brasil se transformou numa crise política, porque a burguesia precisava ter hegemonia no Congresso e no governo federal para poder aplicar um plano de jogar todo peso da saída da crise sobre a classe trabalhadora. Portanto, a Globo é a mentora e gestora do golpe.

Porém, a saída Temer, depois do impeachment da Dilma, foi um tiro no pé, já que a sua turma - como revelou o próprio Eduardo Cunha - era um bando de lúmpens, oportunistas e corruptos, que não estavam preocupados com um projeto burguês de país, mas apenas com seus bolsos.

A Operação Carne Fraca foi um tiro no pé, que ajudou a desacreditar essa turma do PMDB, pois vários deles estavam envolvidos e provocaram um setor da burguesia agroexportadora. Agora, eles precisam construir uma alternativa ao Temer. A forma como ele vai sair se decidirá nas próximas horas e dias, se por renúncia, se cassam no TSE ou mesmo aceleram o pedido de impeachment no Congresso. E nas próximas semanas se decidirá quem colocar no lugar.

Muitos fatores incidirão e o resultado não será algum plano maquiavélico de algum setor, mesmo da Globo, mas será resultado da luta de classes real, de como as classes se comportarão nas próximas horas, dias e semanas.

Putin e Xi alinhados na montagem da nova ordem (comercial) mundial, por Pepe Escobar

16/5/2017, Pepe Escobar, RT










A história recordará que o Fórum Cinturão e Estrada em Pequim marcou o momento e as circunstâncias em que as Novas Rotas da Seda do século 21 assumiram o pleno caráter de Globalização 2.0 – a "globalização inclusiva", como o presidente Xi Jinping definiu-a em Davos, no início desse ano. 

Já falei das apostas monumentais que rolam nesse quadro (aqui e aqui). Terminologia, claro, permanece, como problema de importância secundária. Antes definido como "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)] está agora promovido a "Iniciativa Cinturão e Estrada" [ing. Belt and Road Initiative (BRI). Muita coisa permanece perdida na tradução ao inglês, mas o que importa é que Xi deu jeito e pôs na cabeça, principalmente de todo o Sul Global, a miríade de possibilidades que há no conceito.

Gansos selvagens de Xi em busca do ouro da Rota da Seda, por Pepe Escobar














O presidente Xi Jinping invoca heróis da dinastia Ming, estratégias geopolíticas de desenvolvimento e analogias com os gansos selvagens asiáticos para retratar a iniciativa chinesa Novas Rotas da Seda como nave madrinha de uma nova ordem mundial focada no comércio.

O presidente Xi Jinping usou o Fórum Internacional Nova Rota da Seda, de dois dias, em Pequim, para fixar a China como a nave madrinha de nova ordem mundial benigna, focada no comércio. Esse é, disse Xi, um "novo modelo de ganha-ganha e cooperação" que prevalecerá sobre a diplomacia dos canhões.

No início da conferência, a rede estatal chinesa Xinhua cuidou de esclarecer que a iniciativa – oficialmente chamada, antes, de "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)] e chamada agora "Iniciativa Cinturão e Estrada" [ing. Belt and Road (BRI)] — nada tinha de "neocolonialismo disfarçado".

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 3)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker




Parte 3/4 – Como a CIA inventou uma falsa realidade ocidental para sua "Guerra não convencional"[6]




Ver também
Parte 1/4 – Imperialismo norte-americanoempurra o mundo para um inferno dantesco (Blog do Alok)

Parte 2/4 – Como os neoconservadores promovem a guerra, maquiando os livros (Blog do Alok)
Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites maquiavélicas: de Trotsky a Burnham, de Burnham e Maquiavel ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico (Blog do Alok)












"Os espíritos malignos da imprensa diária moderna", Cartoon da revista Puck em 1888.

A ideologia estranha, psicologicamente conflitiva e politicamente divisionista que se conhece como Neoconservadorismo [ing.Neoconservatism, de onde a forma reduzida "neocons"] pode reivindicar para ela muitos padrinhos nos EUA. Irving Kristol, pai de William Kristol, Albert Wohlstetter, Daniel Bell, Norman Podhoretz e Sidney Hook são nomes que logo vêm à mente, e há muitos outros. Mas, seja em teoria seja na prática, o título de pai fundador da agenda neoconservadora nos EUA – de guerra permanente [impossível não pensar no conceito de "revolução permanente" de Trotsky; para conhecê-lo nos próprios termos do autor-criador leia aqui (NTs)] – que rege o pensamento da defesa e das políticas exteriores dos EUA hoje cabe com mais propriedade a James Burnham.

terça-feira, 16 de maio de 2017

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 2)

0/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker


Parte 2/4 – Como os neoconservadores promoveram a guerra, maquiando as contas[3]















Ver também

Parte 1/4 – Imperialismo norte-americanoempurra o mundo para um inferno dantesco (Blog do Alok)

Parte 3/4 – Como a CIA inventou uma falsa realidade ocidental para sua "Guerra não convencional


"Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites maquiavélicas: de Trotsky a Burnham, de Burnham e Maquiavel ao neoconservadoreservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico





Cartoon editorial de 1898 por Leon Barritt. O cartoon apresenta os editores de jornais Joseph Pulitzer, à esquerda, e William Randolph Hearst vestido como Yellow Kid, um personagem de desenho animado popular da época. É uma sátira do papel de seu Jornal em influenciar a opinião pública dos EUA para ir à guerra com a Espanha.


Muitos norte-americanos fora dos círculos políticos de Washington nunca ouviram falar de "Team B", de onde saiu ou o que fez, nem conhecem as raízes que conectam esse grupo e a 4ª Internacional, o ramo trotskista da Internacional Comunista.[4]


"As raízes do problema vão longe, até 6/5/1976, quando o diretor da CIA George H.W. Bush criou o primeiro Team B… O conceito de uma "análise competitiva" dos dados, produzida por equipe alternativa já enfrentara forte oposição de William Colby, antecessor de Bush como diretor da CIA e profissional de carreira (...) Embora o relatório do Team B contivesse poucos dados factuais, foi recebido com entusiasmo por grupos conservadores, como oCommittee on the Present Danger [aprox. Comissão do Perigo Presente]. O relatório logo se revelou gravemente errado, mas o Team B acertava pelo menos num ponto: o relatório inicial da própria CIA estava, sim, errado. Mas estava errado na direção contrária."


Korb explicou que uma Comissão Especial de Inteligência do Senado em 1978 que revisou o relatório concluiu

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 1)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, Thruthdig in The Vineyard of the Saker


Parte 1/4 – Imperialismo norte-americano empurra o mundo para um inferno dantesco[1]


"Abandonai, ó vós que entrais, toda a esperança!"
("Inferno", Parte 1, canto 3, linha 9, 
trad. [port.] José Pedro Xavier Pinheiro)











Ver também

Parte 2/4 – Como os neoconservadores promoveram a guerramaquiando as contas 
(Blog do Alok)

Parte 3/4 – Como a CIA inventou uma falsa realidade ocidental para sua "Guerra não convencional" (Blog do Alok)


Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites maquiavelian à Burnham. De Trotsky a Burnham, de Burnham e Maquiavel ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico(Blog do Alok) 






"O Portão do Inferno" de Gustave Doré para o "Inferno" de Dante.

Antes de os mísseis Tomahawk começarem a voar entre Moscou e New York, os norte-americanos sabiam mais e melhor, autoeducados eles mesmos, sobre as forças agentes da Rússia, que estaria dando cobertura a um ataque do governo sírio, com gás, contra o próprio povo, como continuam a dizer. Hoje, ninguém parece dar qualquer atenção à necessidade de provar, na ânsia de converter o mundo numa visão dantesca de Inferno. Absolutamente não faltam acusações partidas de fontes jamais identificadas, fontes espúrias e fraudes absolutas indisfarçáveis. A paranoia e a confusão de Washington são hoje impressionantemente semelhantes ao que se viu nos últimos dias do 3º Reich, quando a liderança em Berlin desconjuntou-se e todos os órgãos e unidades de governo entraram em falência. 

Duas palavras sobre a situação geral no Oriente Médio, por Said Hassan Nasrallah

2/5/2017, Said Hassan Nasrallah, excerto (vídeo, 15'55'') Transc. e trad. ao francês, em Said Hassan


















A primeira coisa da qual temos de falar, sobre a situação geral na região é a luta pela liberdade e a dignidade feita hoje por 1.500 prisioneiros palestinos... Entramos hoje no 16º dia dessa greve de fome, que a rua palestina apoia integralmente e com a qual se solidariza, seja dentro (da Palestina ocupada) seja fora, por todo o mundo.

Como sempre, claro, nós também apoiamos e nos unimos a eles, e anunciamos nossa firme solidariedade, total, com essa ação dedjihad e de resistência muito forte empreendida hoje pelos prisioneiros palestinos e suas reinvindicações legítimas e esperáveis. Mas é nossa tarefa, também, extrair dessa ação tudo que ela nos possa ensinar sobre o que ali se passa.

Quanto à primeira questão, sobre a situação da região, tenho dois pontos a desenvolver.

domingo, 14 de maio de 2017

Uma boa razão para procurar e ler a história narrada por Putin

9/5/2017, Phil Butler, New Eastern Outlook, NEO [excertos]













Segundo o noticiário matinal hoje em Moscou, um homem conhecido por não admirar o presidente Putin escorregou numa casca de banana e tombou nas águas geladas do Rio Moskva... Fontes que pediram para que seus nomes não fossem divulgados dizem que a casca de banana é a mais recente ardilosa ferramenta das forças de segurança do Kremlin, usada pelos bandidos a serviço pessoal de Putin.


Por fantástico e alucinado que pareça, o que aí se lê não está longe das manchetes que se leem em todos os veículos da mídia-empresa por toda a Europa e nos EUA [do Brasil nem se fala, porque, aqui não há mídia-empresa, só arremedo de (1) mídia e (2) empresa (NTs)].

China alarga para o mundo a sua Rota da Seda, por Pepe Escobar

13/5/2017, Pepe Escobar, Asia Times



Entreouvido na Vila Vudu:
E a Fiesp, e o agrobusiness e o agronegócio e o 
agro-PQP exportador brasileiro NÃO IRÁ A PEQUIM
PARA ESSE FÓRUM?! Não somos mais BRICS?! 
NÃÃÃÃÃÃUM?! Por que não?" [PANO RÁPIDO]















Vamos logo ao que interessa: a nova iniciativa da China, "Rota da Seda" é o único projeto de desenvolvimento multilateral em grande escala que o século 21 viu até hoje.

O 'Ocidente' não tem contraproposta

Por isso o Fórum de alto nível "Cinturão e Estrada para a Cooperação Internacional" [ing. Belt and Road Forum for International Cooperation], que começa amanhã, domingo, e durará dois dias, está previsto como um ponto de virada radical no processo da globalização. Aqui, a iniciativa é vista como equivalente à troca para modelo Mark II, que acelerará na direção do que o presidente Xi Jinping, em Davos, em janeiro, chamou de "globalização inclusiva".

França: o dia seguinte

9/5/2017, Jacques Sapir, Russeurope, Hypothèses


Entreouvido na Vila Vudu:

Quem duvidava dos feitiços que a globalização da grande finança à moda Wall Street operaria para desgraçar o planeta Terra a favor dos mais ricos e contra os mais pobres, já não tem como negar – em 2017 afinal Brasília-DF **É** Paris. Vergonha [pano rápido]
















Emmanuel Macron foi eleito com grande maioria dos votos expressos dia 7 de maio, equivalente a 66,1% dos "votantes". Em porcentagem é resultado impressionante, mas que é também resultado de uma ilusão de ótica. Inúmeros comentaristas chamaram a atenção para o mesmo detalhe. Agora que já estão disponíveis os números definitivos do 2º turno da eleição presidencial, melhor analisar com mais rigor e extrair conclusões mais precisas sobre o que realmente aconteceu. E também é hora de pensar no futuro. Passadas as eleições e as reações, fingidas ou autênticas, à eleição presidencial, é chegada a hora do dia seguinte.

sábado, 13 de maio de 2017

O declínio do Ocidente revisitado, por Pepe Escobar

11/5/2017, Pepe Escobar, SputnikNews



Europa, na mitologia grega, foi uma princesa fenícia raptada por Zeus e arrastada para Creta. Com o tempo, Europa viria a designar o extremo ocidental da Eurásia. Essencialmente, Europa foi a semente ocidental muito provinciana que gerou um polvo de mil braços: o ocidente global.










Mais de cinco séculos depois da Era dos Descobrimentos, todos sabemos que um longo ciclo histórico está chegando ao fim. O Declínio do Ocidente é forma abreviada de uma trama de complexidade imensa – diretamente proporcional à ascensão do século da integração da Eurásia, puxada adiante pelas Novas Rotas da Seda da China.

Sempre que cavo mais profundamente no Declínio do Ocidente, tenho de voltar às raízes. E isso significa – ecos de Stendhal, Keats, Nietzsche – uma Jornada à Itália. Recentemente embarquei longo diálogo com Maquiavel em Florença. Dessa vez, a eleição presidencial na França se aproximava, amplamente comentada como momento em que o ocidente "civilizado" estaria diante de uma divisão crucial.

Decidi-me a ler Decadence, do explosivo filósofo e fundador da Universidade Popular de Caen, Michel Onfray.[1] Sua tese é devastadora: a civilização judaico-cristã, vale dizer, o Ocidente, foi erguida sobre uma ficção, "de um Jesus que jamais teve existência que não fosse alegórica, metafórica, simbólica e mitológica." Mais de mil anos de história da arte lhe conferiram "o corpo de um homem branco, de cabelo alourado e barba rala" (e onde melhor examinar o tal corpo, se não mediante a arte do Renascimento?) E "nada que constitui esse retrato emblemático encontra qualquer justificativa em algum versículo, nem num único, que fosse, do Novo Testamento."

Texto inédito de Albert Camus, distribuído por sua filha Catherine Camus

28.04.2017, Albert Camus, por Catherine Camus




No dia 28 de abril de 2017, Catherine Camus, a filha de Albert Camus, entregou a Axel Kahn um texto praticamente inédito de seu pai. É um texto magnífico que anuncia, é claro, a publicação do “Homem Revoltado”, em 1951.


 Tradução de Ahut Wató





Sim, é verdade que vivemos sem porvir e que o mundo de hoje não nos promete nada mais que a morte ou silêncio, a guerra ou o terror. Mas também é verdade que não podemos suportar tal mundo porque sabemos que o homem é uma longa criação e que tudo o que vale a pena ser vivido - amor, Inteligência, beleza- demanda tempo e maturidade.

E se não podemos suportar tal mundo, devemos denunciá-lo. E, precisamente, a primeira coisa a ser feita é lançar um grito de revolta. Pois pelo menos metade do terror e da fatalidade é feita da inércia e da fatiga de indivíduos frente a princípios estúpidos ou más ações com as quais continuam a envenenar o mundo.  

A tentação mais forte do homem é a inércia. E por o mundo não mais estar povoado pelo grito das vitimas, muitos podem pensar que ele continuará desse jeito durante mais algumas gerações. E continuará, com efeito, mas entre prisões e grilhões. Por ser mais fácil fazer seu trabalho quotidiano e aguardar numa paz cega que a morte chegue um dia, as pessoas creem que já fazem o suficiente pelo bem do homem, não matando diretamente.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Em minha opinião, as "zonas de des-escalar" na Síria são movimento espertíssimo. Graças a Deus.

5/5/2017, Sic Temper Tyrannis



Dos ComentáriosLurker (em resposta a pmr9, 8/5/2017, 6h26)

As zonas de des-escalar visam a prevenir e impedir futuras provocações (ataques químicos sob falsa bandeira) já em preparação por agentes britânicos, franceses e/ou turcos. Os 'White Helmets' não terão mais nenhuma oportunidade para produzir e encenar um daqueles filmecos classe "B".















Já começo a achar que Putin e Lavrov são ainda mais espertos do que eu pensava. A proposta saída do processo de Astana, para que se criem "zonas de des-escalar" na Síria, oferece alguma coisa para todos os envolvidos: