quarta-feira, 26 de abril de 2017

Emmanuel Clinton versus Marine LeTrump, por Pepe Escobar

25/4/2017, Pepe Escobar, The Vineyard of the Saker












Prossegue a contagem de mortos e feridos no mais recente terremoto geopolítico que afligiu o Ocidente: o Partido Socialista está morto na França. A direita tradicional, em coma. O que antes foi a Extrema Esquerda, está viva e bem viva.

Mas a verdade é que o se esperava que fosse o choque do novo, não é exatamente choque. Quanto mais as coisas flutuam na direção da mudança (na qual se pode crer), mais elas continuam exatamente as mesmas. Eis o novo normal: "sistema" reciclado – tipo Emmanuel Macron — versus "o povo" — tipo Marine Le Pen da Frente Nacional, em luta, dia 7 de maio, pela presidência da França.

Apesar de ser esse o resultado esperado, nem por isso deixa de ser significativo. Le Pen, rebatizada "Marine", chegou ao segundo turno da eleição, apesar da campanha medíocre.

Essencialmente, ela só fez remontar – mas não expandiu – sua base de eleitores. Escrevi em coluna para Asia Times que Macron nunca passou de produto artificial, holograma meticulosamente desenhado para vender uma ilusão.

Só os ingênuos terminais podem crer que Macron incarne alguma mudança, sendo, como é, o candidato da União Europeia, da OTAN, dos mercados financeiros, da máquina Clinton-Obama, do establishment francês, de cesta sortida de oligarcas do business e das seis maiores mídia-empresas francesas.

Quanto à estupidez da esquerda Blairista, é fenômeno inigualado no mundo.

MK Bhadrakumar: EUA não suportam mais pressão no Afeganistão

25/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline










A fervente rivalidade EUA-Rússia no Afeganistão teve virada brusca, com a ameaça explosiva feita pelo secretário da Defesa dos EUA James Mattis, em visita a Cabul, na 2ª-feira. Nas palavras de Mattis, Washington "confrontará a Rússia" por violação de leis internacionais, por mandar armas para os Talibã. Mattis disse isso ao responder a uma pergunta que tudo faz crer que tenha sido plantada pelos EUA, enunciada por um correspondente do Washington Post – que perguntou sobre armas russas "vistas em mãos de Talibãs" em Helmand, Kandahar e Urozgão (províncias que têm fronteira com o Paquistão.)

O general John Nicholson, comandante dos EUA no Afeganistão, que estava ao lado de Mattis recusou-se a desmentir o noticiário sobre armas russas, mas tampouco tinha qualquer detalhe a acrescentar. Limitou-se a observar que "continuamos a reunir informes sobre essa assistência." Mas Mattis mesmo assim avançou nas ameaças a Moscou:


·    "Os russos parecem estar escolhendo ser concorrentes estratégicos em inúmeras áreas. Quanto a detalhamento [ing. granularity] e sucesso que estejam obtendo — acho que a Justiça está cuidando disso... Direi que nos engajaremos diplomaticamente com a Rússia. Faremos isso onde pudermos. Mas teremos de confrontar a Rússia onde o que estão fazendo contraria a lei internacional ou nega a soberania de outros países. Por exemplo, qualquer arma que seja canalizada para cá por país estrangeiro seria – seria violação da lei internacional, a menos que entrem mediante o governo do Afeganistão para – para as forças afegãs. E assim tem de ser tratado como violação da lei internacional."

É dramática escalada retórica. Por que agora? Na verdade, vejo contexto com três possíveis vetores. (Afinal, Mattis tem fama, ele pessoalmente, de ser "general que pensa".)

Armas dos EUA para a guerra contra Síria e Iêmen partem da Europa

14/4/2017, Manlio Dinucci, Il ManifestoItália












O regime dos EUA faz crer que lutaria contra os jihadistas. Mas continua enviando armas, a partir da Europa "democrática", àqueles terroristas. 

Leva o nome de Liberty Passion, ou seja "Paixão pela Liberdade". É um enorme, moderníssimo navio cargueiro norte-americano do tipoRo/Ro [abrev. Roll-on/roll-off, de "embarque e desembarque sobre as próprias rodas"] – concebido para transportar veículos –, de 200 metros de comprimento, 12 conveses e superfície total de mais de 50 mil m2, com capacidade para transportar o peso equivalente a 6.500 automóveis.

Esse navio, propriedade da empresa norte-americana Liberty Global Logistics, fez a sua primeira escala – dia 24/3/2017 – no porto de Livorno, Itália. Assim começou oficialmente uma conexão regular entre Livorno e os portos de Aqaba, na Jordânia, e de Jeddah, na Arábia Saudita, servida mensalmente pelo Liberty Passion e outros dois navios similares, o Liberty Pride ("Orgulho da Liberdade") e o Liberty Promise ("Promessa de Liberdade"). A inauguração dessa linha de transporte foi celebrada como "festa para o porto de Livorno".

terça-feira, 25 de abril de 2017

Emmanuel Macron: Economia em marcha a ré

11/4/2017, Dany Lang e Henri Sterdyniak, Rede Tlaxcala




"[Blake] tem de inscrever-se para ser reconhecido como qualificado para procurar emprego e cumprir a tarefa de Sísifo de horas e horas de workshops para aprender a fazer currículos e depois bater perna à procura de empregos que não existem e que, se existissem, ele não poderia reivindicar para si"
["I, Daniel Blake" review – a battle cry for the dispossessed, 23/10/2016, The Guardian].*










Depois de muitos meses de suspense, afinal Emmanuel Macron apresentou seu programa. O programa econômico, infelizmente, veio sem novidades. Como Jean Pisani-Ferry já anunciara, não é programa socialista, quer dizer, programa que visasse a dar mais poder aos cidadãos na cidade e aos trabalhadores na empresa; não é tampouco programa ecologista, que assumisse devidamente os esforços necessários para fazer a transição ecológica. Nada disso. É programa neoliberal, "progressista" só para quem o progresso consista em obrigar a França a andar rumo ao modelo liberal.




Não é tampouco programa de ruptura, pois se inscreve na continuação da política conduzida por François Hollande e Manuel Valls, de 40 milhões de redução nos impostos, sem contrapartida a ser prestada pelas empresas na Lei do Trabalho. Esse programa nos força a aceitar as demandas do grande patronato, na esperança de que por assim fazermos os empresários dignem-se a investir e a empregar na França.

Assim, as classes dirigentes poderão escolher entre duas estratégias nas eleições. De um lado, a estratégia forte com François Fillon, que consistirá em choque brutal para destruir o direito do trabalho, cortar despesas públicas e sociais, reduzir impostos para os mais ricos e para as empresas. De outro, a estratégia mais gradualista de Emmanuel Macron, com as mesmas medidas, mas aplicadas mais lentamente, mas, em resumo, na mesma direção.

Problemas e futuro da cooperação inter-regional China-Rússia

25/4/2017, Wan Qingsong,* Valdai Discussion Club




Entreouvido na Vila Vudu:

A quem diga que 'isso aí não me interessa', responda:
"Interessa, sim senhor, e muito! Porque: (a) São notícias do mundo multipolar. E se é mundo multipolar interessa muito mais, em todos os casos, que os problemas do mundo unipolar dependente do dólar e de Wall Street. Porque: (b) Aí se trata de construir integração entre "regiões não adjacentes", quer dizer, construir integração necessária para finalidades POLÍTICO-ESTRATÉGICAS, não integração determinada por destino geográfico. E porque: (c) E
m todos os casos, essa discussão sempre interessará muito mais que o opininionismo tosco e tendencioso do 'jornalismo' Br-17, q só repete baboseiras das redes norte-americanas sobre eleições na França, ou 'noticiário' suposto 'local' e elucubrações sobre o que algum golpista diz-que pensa sobre Constituição e Lei."












Componente crucial da parceria estratégica abrangente russo-chinesa, a cooperação regional é ponto focal para os dois países e recebe o indispensável apoio das autoridades locais e da alta cúpula do governo dos dois países. Assim, a cooperação regional tem enorme potencial em termos do desenvolvimento de relações bilaterais.

A cooperação entre regiões não adjacentes nos dois países está gradualmente ganhando energia. Trata-se basicamente da interação entre a Região do Alto e Médio [rio] Yangtze da China e o Distrito Federal do [rio] Volga da Rússia. A cooperação no formato Volga-Yangtze começou a ser construída em maio de 2013. Em julho de 2016, aconteceu em Ulyanovsk a primeira reunião do Conselho para Cooperação Inter-Regional que pôs os processos de cooperação e desenvolvimento em novo nível. O Conselho terá sua segunda reunião em junho de 2017, na Província Anhui, China.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Tudo em jogo. França prepara-se para rasgar a partitura política, por Pepe Escobar

20/4/2017, Pepe EscobarAsia Times (escrito antes da eleição)










O Declínio do Ocidente, o destino da civilização ocidental, o desmonte da União Europeia, até o futuro da própria democracia. Todos os breques acionados, no que tenha a ver com como as eleições presidenciais francesas modelarão a geopolítica de um jovem e turbulento século 21.

E tudo a um passo de se resumir ao destino de três homens e uma mulher – nenhum exatamente talhado para a ocasião, muito mais sucumbindo, todos, sob o peso dela.

A corrida pelo primeiro turno no [próximo] domingo revelou-se uma versão galesa de House of Cards, entretenimento de primeira qualidade.

À direita, sucumbido sob o peso da mais massiva impopularidade, o conquistador da Líbia, ex-presidente Nicolas Sarkozy, codinome "Sarkô Primeiro, foi eliminado logo de saída com o conservador favorito, prefeito de Bordeaux, Alain Juppé.

Porque Rússia e China apavoram Washington, por Pepe Escobar

21.04.2017, Pepe Escobar, SputnikNews


Tradução de btpsilveira


Unindo os países que o Pentágono declarou serem as principais ameaças “existenciais” para os Estados Unidos, a parceria estratégica Rússia-China não se revela através de um tratado assinado com pompa e circunstância – e uma parada militar.




Mesmo escavando camada após camada de sofisticação sutil, não há como saber a profundidade dos termos acordados entre Pequim e Moscou, nos bastidores dos inumeráveis encontros entre Xi Jinping e Vladimir Putin.

Diplomatas, desde que mantidos no anonimato, ocasionalmente insinuam que uma mensagem em código pode ter sido entregue à OTAN quantos ao que poderia acontecer se um desses parceiros estratégicos fosse maltratado seriamente – seja na Ucrânia seja no Mar do Sul da China – a OTAN teria que lidar com os dois.

Por enquanto, vamos nos concentrar em dois exemplos de como a parceria funciona na prática, e porque Washington não tem noção de como lidar com a situação.