sexta-feira, 25 de maio de 2018

Mil bolas de fogo, por Dmitry Orlov

23/5/2018, Dmitry Orlov, Club Orlov


"A Rússia está pronta para responder a qualquer provocação, mas a última coisa que os russos querem é outra guerra. 
E essa, se você gosta de boas notícias, é a melhor notícia que você ouvirá."



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Um odor de 3ª Guerra Mundial paira no ar. Nos EUA, a Guerra Fria 2.0 prossegue, e a retórica anti-Rússia emanada da campanha de Clinton, ecoada pelos veículos da mídia, nos leva de volta ao McCarthyismo e à ameaça vermelha. Resposta a isso, muita gente começou a pensar que o Armageddon pode estar próximo – uma troca nuclear mortal, seguida de um inverno nuclear e extinção da humanidade. Parece que muita gente nos EUA gosta de pensar assim. Santo Deus!

Mas, vejam, faz completo sentido. Não se pode dizer que seja irracional. Os EUA estão afundando num colapso financeiro, econômico e político, perdendo posição no mundo e convertendo-se num gueto de dimensões continentais povoado de abuso de todas as drogas, violência, infraestrutura em ruínas, população desgraçada por vícios de toda a ordem, envenenada com comida geneticamente modificada, doente de obesidade, explorada por departamentos de polícia e prefeitos predadores e o mais farto sortimento de pragas, da medicina à educação e à propriedade imobiliária. OK. Até aí, todos sabemos.

Das ambiguidades da política russa

17/5/2018, The Saker, in Unz Review e The Vineyard of the Saker


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Introdução: o mundo não é Hollywood


"Talvez não seja o melhor momento para um expurgo no Kremlin, que tirasse de lá os representantes dos interesses do big business russo..." [Do artigo adiante]

– DOS TRADUTORES: Esse argumento parece repetir, quase simultaneamente, o que diz Ciro Gomes (para quem uma aliança com a Fiesp seria uma necessária "aliança com o 'produtivismo'"). Mangabeira Unger pensa e fala na mesma direção [que a esquerda não tem projeto para a produção; por exemplo, em entrevista à revista online Les Crises, Paris, (ing., legendas em fr., já traduzida ao português, no Blog do Alok)] .

Não dizemos que seja bom ou mau que eles digam, ou o que estão dizendo. Só dizemos que Lula também entendeu que tivesse de fazer essa aliança, motivo pelo qual fez a "Carta aos brasileiros". 

Se Lula e Putin tiveram de fazer essa aliança (ou creram que teriam de fazer) e foram depois reeleitos, não faz sentido – a não ser um reles sentido eleitoreiro pré-eleitoral tosco – 'declarar' que Ciro seria 'traidor', 'porque' diz a mesma coisa. E tudo isso até aqui, dito, data venia, com todo o respeito: para ver se melhoramos o nosso candidato, nossa candidatura, nosso programa e nosso argumento... (NTs)].
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As semanas recentes assistiram a grande número de eventos realmente tectônicos, que tiveram lugar simultaneamente nos EUA, na Rússia, em Israel, na Síria, no Irã e na União Europeia (UE). Acho que também é razoável dizer que a maioria dos que se opunham ao Império Anglo-sionista experimentaram emoções que foram do leve desapontamento à mais total decepção. Com certeza não ouvi ninguém comemorando, e, se houve comemorações, foram minoritárias (pouco caracteristicamente, por exemplo, Mikhail Khazin). Essas reações são normais, todos criamos expectativas que podem ser frustradas adiante, como quase sempre acontece. Mesmo assim, ainda que as notícias sejam claramente más, sempre é bom manter em mente algumas coisas.

Projeto das elites e mudança institucional

13/5/2018, Roberto Mangabeira Unger, Les Crises, ENTREVISTA
(Vídeo, 30" em ing. e legendado em fr., aqui transcrito e traduzido ao port.[1])


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Les Crises (LC)Roberto Mangabeira Unger, o senhor é filósofo, é professor da Escola de Direito de Harvard e foi também ministro do governo do Presidente Lula do Brasil e também do governo da Presidenta Dilma Roussef. Nós o convidamos para que o senhor fale sobre a situação, o status da esquerda, digamos a filosofia da esquerda. Para começar pelo começo, gostaria de conhecer suas impressões, seus sentimentos, sobre o encontro entre Emanuel Macron e Donald Trump nos EUA. EM se autoapresenta, de certo modo, como se fosse uma nova forma da socialdemocracia. Mas a recente viagem mostrou outra faceta dele. Como o senhor analisa o que aconteceu nesses três dias, nos EUA?

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Washington, DC: Mergulho ao fundo do pântano-mãe de todos os pântanos

22/5/2018, Moon of Alabama


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Há um ano, Trump jurou fidelidade com as mãos postas sobre o Globo Wahhabista, a lâmpada que governa todos eles:

"O juramento prestado à estrela wahhabita da morte foi parte da cerimônia de inauguração do potemkinesco "Centro Global para Combate contra a Ideologia Extremista" [ing.Global Center for Combating Extremist Ideology" em Riad.
...
Os saudistas montaram todo o teatro para induzir Trump, pela vaidade, a lutar em nome deles, contra o Irã. Esperam ter comprado a obediência de Washington."



Campanha contra seus rivais locais, Qatar e Iran. Trump apoiou fortemente a campanha saudita anti-Qatar, até que o Pentágono informou Trump que o Qatar hospeda a maior base aérea dos EUA em todo o Oriente Médio, que não pode ser mudada de lá de repente, de um momento para outro.

Teerã examina caminho adiante, depois da saída unilateral dos EUA, do Acordo Nuclear, por Pepe Escobar

21/5/2017, Pepe Escobar, Asia Times [2ª Carta de Teerã]

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Irã considera passar a fazer todo seus negócios e trocas comerciais em euros e yuan, em momento de plena incerteza sobre se Bruxelas pode desafiar a lei de dominação dos EUA e impedir possíveis sanções



A saída do governo Trump, do acordo nuclear iraniano [Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA)], monopolizou os mais altos níveis do governo em Teerã em tempo integral, desde que a decisão foi anunciada dia 9 de maio.

O primeiro-ministro Mohammad Javad Zarif, que se reuniu ontem com o chefe de energia da União Europeia Miguel Arias Canete, reiterou que não bastam meras palavras de apoio dos europeus. A comissão conjunta do JCPOA reúne-se em Viena na próxima 6ª-feira para analisar as opções à frente.

Relatório da guerra na Síria: Exército Árabe Sírio liberta área rural de Damasco


'Estado Islâmico' em retirada (EUA e França instalam-se)
21/5/2018, South Front (c/vídeo, 26", e mapa, ing.)



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




O Exército Árabe Sírio (EAS) e aliados estão muito próximos de estabelecer pleno controle sobre a área rural ao sul de Damasco. O EAS já libertou todo o distrito de al-Hajar al-Aswad e o restante da área.


Dia 19 de maio, o EAS e os militantes remanescentes do 'Estado Islâmico' acordaram um cessar-fogo na área. Dia 20 de maio, vários ônibus entraram na área, sinalizando que o 'Estado Islâmico' estava disposto a se render. Dia seguinte, 21 de maio, membros do 'Estado Islâmico' começaram a deixar a área.

"Neonorteamericanismo": não passa de trumpismo reduzido a netanyahuísmo, por Alastair Crooke

21/5/2018, Alastair Crooke, Strategic Culture Foundation



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



A declaração do presidente dos EUA dia 8 de maio (sobre sair do Acordo Nuclear Iraniano, ing. JCPOA) impõe que todos revisemos fundamentalmente o que tínhamos como definição do trumpismo. No início do mandato, disseminara-se amplamente a ideia de que o trumpismo estaria apoiado em três principais pilares: (1) que os custos com os quais os EUA tinham de arcar para manter toda a parafernália do Império (i.e. vigiar e punir quem infringisse a ordem global policiada pelos EUA) eram simplesmente altos e injustos demais (especialmente porque não garantiam a defesa e porque o resto do mundo só dividia os custos quando coagido a fazê-lo); (2) que os empregos dos norte-americanos haviam sido roubados dos EUA e teriam de ser recuperados mediante mudanças nas regras do comércio; e (3) que, para fazer as necessárias mudanças, se aplicariam táticas de A Arte da Negociação.