sexta-feira, 20 de abril de 2018

Síria, Irã e "caos nas relações internacionais", por Pepe Escobar

19/4/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu





Mesmo em ambiente geopolítico de pós-verdade em torvelinho, o presidente da Rússia Vladimir Putin dizer ao seu contraparte iraniano, Hassan Rouhani, em conversa telefônica, que qualquer novo ataque ocidental contra a Síria pode "levar ao caos, nas relações internacionais" deve ser visto no mínimo pelo que é: impressionante eufemismo.


Segundo o Kremlin, Putin e Rouhani concordam em que os ataques da entidade que os mais cínicos chamam de F.U.K.U.S. [por aproximação fonética, "Fodam-se EUA"] –, F de França, UK de United Kingdom [Reino Unido] e US de EUA – causaram grave dano às chances de se alcançar qualquer solução política significativa na Síria.

Para entender o estupro do Brasil, em 2016: Estupro da Rússia, nos anos 1990s. Lars Schall entrevista F. William Engdahl (2/2)

Lars Schall (LS) entrevista F. William Engdahl (FWE), autor de Manifest Destiny: Democracy as Cognitive Dissonance [Destino Manifesto: Democracia como cognição dissonante,* sem trad. ao português], transcrição, traduzido do inglês, de The Vineyard of the Saker, Introdução de Pepe Escobar (2/2)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


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Ver também


Para entender o estupro do Brasil, em 2016

Estupro da Rússia, nos anos 1990s 

Lars Schall (LS) entrevista F. William Engdahl (FWE), autor de Manifest Destiny: Democracy as Cognitive Dissonance [
Destino Manifesto: Democracia como cognição dissonante, sem trad. ao português], transcrição, traduzido do inglês, de The Vineyard of the Saker, Introdução de Pepe Escobar (1/2)______________________________




[continuação, a partir de 26"40']
LS: É. Vamos falar sobre isso. É o que se conhece como Terapia de Choque Jeffrey Sachs, ou Terapia de Choque de Harvard.


FWE: Bem, a Terapia de Choque Jeffrey Sachs, mas a Terapia de Harvard é... – Bem, o que aconteceu, a próxima fase dessa história incrível. É importante ter isso em mente e essa é uma das razões pelas quais escrevi o livro, por causa do que estava já claro depois do golpe de estado da CIA em 2014 na Ucrânia e todas as sanções contra a Rússia de Putin e tal.

Para entender o estupro do Brasil, em 2016: Estupro da Rússia, nos anos 1990s. Lars Schall entrevista F. William Engdahl (1/2)

Lars Schall (LS) entrevista F. William Engdahl (FWE), autor de Manifest Destiny: Democracy as Cognitive Dissonance [Destino Manifesto: Democracia como cognição dissonante,* sem trad. ao português], transcrição, traduzido do inglês, de The Vineyard of the Saker (1/2)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

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Ver também
Para entender o estupro do Brasil, em 2016Estupro da Rússia, nos anos 1990s 
Lars Schall (LS) entrevista F. William Engdahl (FWE), autor de Manifest Destiny: Democracy as Cognitive Dissonance [Destino Manifesto: Democracia como cognição dissonante, sem trad. ao português], transcrição, traduzido do inglês, de The Vineyard of the Saker (2/2)______________________________


Introdução
Pepe Escobar


William F. Engdahl é um dos principais analistas geopolíticos do mundo. Seus livros – de Century of War a Full Spectrum Dominance – são absolutamente essenciais para compreender como a nação autodeclarada "excepcional" criou e expandiu seus tentáculos de hegemonia global.


Boa medida para aferir a influência de Engdahl é que por mais que a turma do Departamento de Estado o desqualifique, aqueles suspeitos de sempre leem tudo que ele escreve e não conseguem encontrar argumento que prove que Engdahl errou.


Essa longa entrevista, feita pelo jornalista especializado em finanças Lars Schall é em grande parte dedicada ao Capítulo 3 – "The Rape of Rússia" [O Estupro da Rússia] – do mais recente livro de Engdahl,Manifest Destiny: Democracy as Cognitive Dissonance [port. Destino Manifesto: Democracia como cognição dissonante, sem tradução em português do Brasil (NTs)].


Aqui vocês encontrarão tudo que precisam saber sobre a gênese dos oligarcas russos nos anos 1990s; os negócios sujos da máfia de Yeltsin; tudo sobre o roubo do ouro dos soviéticos, até as operações sujíssimas do irmão mais velho de Bush-pai; a incrível história do ouro de Yamashita; a sujeira dos "cupons de privatização"; o modo como a máfia de Harvard controla a economia russa – até a luta tenaz, duríssima, que o presidente Putin iniciou e combateu ao longo dos anos 2000s para fazer da Rússia uma economia funcional, ao mesmo tempo em que a OTAN continuava a avançar na direção da Rússia.


Como Engdahl observa, se não compreendermos o que aconteceu na Rússia nos anos 1990s é absolutamente impossível contextualizar a incansável campanha de ódio que os neoconservadores e a Think-tank(e)lândia norte-americana movem contra o presidente da Rússia, 24 horas/dia, sete dias por semana.


ATENÇÃO: Em entrevista ao programa Duplo Expresso do dia 16/4/2018, Pepe Escobar comenta o mesmo livro de Engdahl, e o mesmo 3º Capítulo, para dizer o quanto é leitura importantíssima para que se compreenda... o estupro do Brasil, mais ativo a partir de 2016, mas em tudo semelhante ao que foi feito contra a Rússia. A entrevista de Pepe ao Duplo Expresso está aqui. O trecho em que Pepe Escobar fala das semelhanças entre o estupro da Rússia e o estupro do Brasil começa em 27'25" [NTs].


Assim sendo, sente-se, relaxe, curta essa corrida alucinada ladeira abaixo e conserve essa entrevista como referência essencial que você não encontrará em nenhum outro lugar.
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Estupro da Rússia, nos anos 1990s


Lars Schall: Alô, William.

F. William Engdahl: Alô, Lars. Bom estar com você outra vez.


LS: Ótimo tê-lo conosco. Para começar, permita que eu leia algo para você e nossos ouvintes, escrito pelo economista Dean Baker no início do mês.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

É pena, mas... está longe de acabar.

15/4/2018, The Saker, The Vineyard of the Saker


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu







Comecemos por um rápido sumário dos eventos


·         Há cerca de um mês, Nikki Haley anuncia ao Conselho de Segurança da ONU (CSONU) que os EUA estão prontos para violar as regras daquele próprio Conselho de Segurança da ONU, caso aconteça um ataque químico na Síria.


·         Em seguida os russos anunciaram que têm provas de que estava em preparação, na Síria, um ataque químico de falsa bandeira [o ataque é preparado por um país, para ser atribuído falsamente a outro país].


·         Em seguida começam os boatos de que um ataque químico teria supostamente acontecido (em local cercado e, basicamente, controlado por forças do governo!).


·         A Organização para Proibição de Armas Químicas, OPAQ [ing. OPWC] envia investigadores (apesar de as potências ocidentais insistirem em altos brados que não seria necessário investigar coisa alguma).


·         Na sequência, os anglo-sionistas bombardeiam a Síria.


·         Em seguida, o CSONU recusa-se a condenar a violação de suas próprias regras e decisões.


·         Até que, finalmente, os EUA 'noticiam' um 'ataque perfeito'.

Agora, me digam: alguém sente que a história acima está concluída, que acabou?

EUA e aliados expostos à retaliação russa na Síria

14/4/2018, Global Times, Editorial, Pequim, China


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




O presidente dos EUA Donald Trump anunciou na 6ª-feira que ordenara ataques contra o regime sírio, como resposta a um ataque químico no fim de semana passado. Disse que os ataques seriam coordenados com França e Reino Unido. O presidente da Síria Bashar al-Assad disse que seu país foi "invadido" por aqueles três países. A Embaixada Russa nos EUA disse em declaração que "insultar o presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível."

Em declaração espetaculosa, Trump afirmou que o governo de Bashar al-Assad usara armas químicas contra civis. Disse que "O ataque maligno e desprezível deixou pais e mães e meninos e bebês contorcendo-se de dor e sem conseguir respirar. Não são ações de homem. São crimes de um monstro." Trump também alertou que "a Rússia tem de decidir se continuará por esse caminho de trevas ou se se reunirá às nações civilizadas numa força a favor da estabilidade e da paz."

domingo, 15 de abril de 2018

Desmascarado o plano secreto dos EUA contra Damasco: Entenda a ação dos russos antes e depois do ataque de EUA e Reino Unido, por Elijah J Magnier

França prometeu mandar aviões, mas não mandou*


15/4/2018, Elijah J Magnier - Blog [aqui retraduzido do inglês]


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Donald Trump desceu da árvore na qual subira há alguns dias, quando mobilizara imensa força militar e poder de fogo similar à "Operação Tempestade no Deserto" (embora sem coturnos em solo). O "Plano A" previa ataque avassalador contra a Síria para destruir o exército, o palácio presidencial, as bases de comando e controle, as forças de elite, depósitos militares estratégicos de armas e munições, radar, sistemas de defesa e instituições da liderança política.

Antes do triplo ataque à Síria por EUA, Reino Unido e França, houve contatos intensos promovidos pelos russos e pessoalmente pelo próprio presidente Putin – às 4h da madrugada – para reduzir o ataque e conseguir que passássemos todos para um "Plano B" mais suave e menos avassalador.

A Rússia, nos contatos com vários chefes de Estado, rejeitou absolutamente qualquer ataque que incapacitasse o Exército Sírio, e instruiu a liderança em Damasco no sentido de que, doravante, passava a ser essencial obrigar o Ocidente a pensar muito bem antes de tentar alterar radicalmente o equilíbrio de poder no Levante.

Mas qual a razão real por trás do ataque EUA-Reino Unido-França? O que teria a ver com "ataque químico" em Duma? A Organização para a Proibição de Armas Químicas já estava em Damasco, e seus especialistas estiveram em Duma no sábado para inspecionar o local onde teria havido um ataque com armas químicas. Por que os EUA não podiam esperar pelos resultados?

Quem ganhou? Síria atacada por F.O.D.A.M-SE-E.U.A.

14/4/2018, Moon of Alabama


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Noite passada, França, Reino Unido e os EUA lançaram ataque ilegal contra a Síria e bombardearam vários pontos civis e militares dentro do país. A 'justificativa' para o ataque é que seria vingança ou punição por um suposto 'ataque químico' que teria acontecido uma semana antes.

O 'incidente químico' dia 7 de abril em Douma foi concebido para reverter a decisão publicamente anunciada de Trump, de ordenar a saída dos militares dos EUA, da Síria. 

Os 'rebeldes' salafistas empregados da Arábia Saudita trouxeram cadáveres, provavelmente recolhidos em algum outro morticínio próximo, e os empilharam num apartamento em Douma, para encenar um 'evento' e filmar vídeos falsos de um 'ataque químico' o qual, também falsamente, foi atribuído ao governo sírio.

Trump fingiu acreditar nos vídeos e pôs-se a tuitar ameaças contra Síria e Rússia. A Rússia ameaçou responder com força equivalente, no caso de os EUA atingirem soldados ou interesses russos na Síria.